A situação está “muito difícil e muito frágil” para os defensores ambientais e de direitos humanos, afirmou a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, nesta quarta-feira (12). A fala ocorreu durante painel na Zona Verde da COP 30 sobre os “Desafios para a proteção ambiental na democracia”.

De acordo com o último relatório da Global Witness, 80% dos defensores ambientais assassinados ou desaparecidos no ano passado estavam na América Latina, totalizando 146 pessoas.

Bachelet chamou a atenção para o risco ainda maior enfrentado pelas defensoras mulheres, sujeitas à violência de diversas formas, inclusive cibernética, com o objetivo de silenciar suas vozes.

“E não estamos falando apenas de uma estatística, porque representam vidas, famílias, comunidades que sofrem e resistem diante da violência e da impunidade. Durante meu período como Alta Comissária para os Direitos Humanos, testemunhei essa realidade em primeira mão. Sempre que viajava para diferentes lugares do mundo, encontrava defensores dos direitos humanos na área ambiental que compartilhavam comigo a sua realidade.”

A representante do Brasil – a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo – destacou como a crise climática atinge com mais força os mais vulneráveis.

“As mulheres, as crianças e os povos tradicionais são os mais afetados. São eles e elas que, diante do colapso, sustentam a vida, cuidam, acolhem, procuram alimento e abrigo. Mantêm a solidariedade viva. Por isso, reafirmamos: proteger as pessoas mais vulneráveis é um dever do estado”.

Em resposta a essa urgência, o ministério lança, durante a COP 30, um protocolo de atendimento a populações vulneráveis em grandes desastres. O documento estabelece diretrizes para garantir acolhimento digno e acesso à informação, com proteção de grupos específicos e povos tradicionais.

Atualmente, o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos acompanha quase 1,5 mil defensores, sendo mais de 400 lideranças ligadas à luta pela terra, além de defensores urbanos, quilombolas, comunicadores, ambientalistas e lideranças LGBTQIA+.




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