Brasília sedia até esta quarta-feira o segundo Encontro Nacional de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas. O evento, organizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, marca os 30 anos da comissão. 
Nesta terça feira, foram entregues 26 certidões de óbito corrigidas, com a informação de morte não natural, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964.
Maria Helena Monteiro tinha 16 anos quando o pai foi assassinado dentro do próprio gabinete. Alfeu de Alcântara Monteiro era tenente-coronel e foi o primeiro militar morto por se recusar a apoiar o golpe. Hoje, a filha finalmente recebeu a certidão de óbito do pai retificada.
Divino Ferreira de Souza, conhecido como Nunes da Guerrilha do Araguaia, era militante do Partido Comunista Brasileiro e desapareceu em outubro de 1973. O certificado de óbito corrigido dele foi entregue à sua única irmã, Terezinha Souza Amorim, que destacou a importância da abertura dos arquivos da ditadura militar.
Neste ano, outras 63 certidões de óbito corrigidas foram entregues em Minas Gerais e mais 102 em São Paulo.
No evento que celebra os 30 anos da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, os participantes lembraram que a comissão é o resultado da luta da sociedade civil e tem o papel de honrar a memória, ao reconhecer as vítimas da ditadura militar brasileira, atuando nas buscas e na identificação de desaparecidos políticos, além de retificar as certidões de óbito.
A Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, destacou que a luta pelo direito à memória, à verdade, à justiça e à reparação não deve ser entendida como uma pauta de governo, mas de toda a sociedade. Macaé comentou as ações que vêm sendo realizadas, como a retomada do trabalho no cemitério de Perus.
Nesta quarta-feira, a programação será exclusiva para os familiares, e terá espaço de escuta, além de apresentação do balanço das atividades da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos deste ano e a definição dos trabalhos para o ano que vem.