Na capital paulista, entre esta segunda (16) e terça-feira de carnaval, mais de 100 blocos saem pelas ruas da cidade. Com os termômetros acima dos 30 °C, tem folião que prefere curtir a festa em blocos menores. É o caso da técnica em análises clínicas Letícia Mendes, que também se sente mais segura em aglomerações menores.

“Nos blocos maiores é mais complicado. É bem mais perigoso. A gente prefere procurar esses blocos menores que a gente consegue aproveitar sem deixar passar em branco carnaval.”

A estudante Isabele Ramos conta que já vivenciou situações de assédio durante a folia, que se tornaram algo comum. Para ela, algumas medidas de segurança são necessárias para aproveitar a festa. 

“Nunca vou pro carnaval só com uma amiga. Sempre tem que ter muita gente, tem que ficar perto o tempo todo. É muito complicado, né? Você não pode ficar sozinha em momento algum. Eu acho que infelizmente o Brasil é um país muito sexista e misógino.” 

Entre as ações de combate ao assédio sexual durante o carnaval está a campanha do Ministério das Mulheres, que conta com a adesão de 18 estados.  São ações de apoio ao combate e faixas com a frase “Se liga ou eu ligo 180”.  O número da Central de Atendimento à Mulher orienta sobre direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento, além de registrar denúncias de violência contra mulheres e enviar os casos às autoridades competentes.

Em São Paulo, uma comissão de mulheres advogadas da OAB-SP realiza suporte jurídico a mulheres vítimas de importunação ou violência sexual durante o carnaval. São mais de 300 voluntárias que oferecem escuta qualificada, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção. O acesso pode ser feito  pelo site oabsp.org.br

Katharine Bueno mora fora do Brasil há quatro anos e veio passar o carnaval no país. Para ela, iniciativas como a da OAB são fundamentais para as mulheres se sentirem mais seguras no carnaval. 

Eu acho que isso é realmente um problema público que tem que ser conscientizado e trabalhado com esse tipo de problema, porque a gente precisa de proteção, embora não aconteceu comigo novamente,  mas isso acontece, então tem que ser falado e obviamente tem que ter a segurança no local.

A folia como um espaço seguro contra o assédio e a violência é a proposta do Bloco Pagu, que desfila nesta terça-feira com uma bateria 100% feminina na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, a partir das 11h. 




Source link