Durante encontro com empresários na Coreia do Sul nesta segunda-feira(23/2), o presidente Lula defendeu o livre comércio pelo mundo e criticou posturas que coloquem o multilateralismo em xeque.

“Não é possível, no primeiro quarto do século XXI, a gente entender que o multilateralismo não tem mais sentido. A tentativa de acabar com o multilateralismo e de voltar a uma coisa que nós não queremos que volte, o protecionismo, para dificultar a economia dos países a crescer, não existe justificativa. Quanto mais livre o comércio, melhor será para o mundo. Quanto mais a gente praticar o multilateralismo, nós estaremos mais contribuindo para o desenvolvimento econômico do planeta.”

A declaração foi feita durante o encerramento do encontro empresarial Brasil-Coreia do Sul, na capital Seul. O evento ocorreu depois que Lula se encontrou com o presidente coreano, Lee Jae-myung, com quem assinou acordos bilaterais. Lula voltou a falar de multilateralismo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar aumento de tarifas temporárias sobre as importações do país, decisão tomada depois que a Suprema Corte estadunidense derrubou o programa tarifário de Trump. Ainda diante dos empresários coreanos, o presidente Lula afirmou que o Brasil busca, há 15 anos, ter acesso ao mercado local para vender carne bovina.

“O Brasil tem um rebanho de gado bovino de aproximadamente 240 milhões de cabeça de gado. No Brasil se mata, companheiro Fernando Haddad, 150 mil cabeça de gado por dia. Quando o povo da Coreia quiser ter acesso a proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender a demanda da Coreia. Vocês correm o risco de, se comprar carne dos Estados Unidos, estarem comprando carne brasileira.”

De acordo com Lula, o Brasil quer avançar nos procedimentos sanitários necessários para estar no prato do cidadão coreano. Também para que os frigoríficos brasileiros se instalem na Coreia do Sul. O presidente Lula destacou ainda que uma das prioridades do governo brasileiro é colaborar com empresas coreanas em setores intensivos em conhecimento.

“A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos. É um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra. O papel de meros exportadores de matéria-prima não condiz com o nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta no solo brasileiro.”

Por fim, o presidente brasileiro destacou o acordo entre o Mercosul e União Europeia. Com isso, disse que o bloco latino está em busca de fechar comércio com diversos países e defendeu a retomada de negociações de um acordo entre o Mercosul e a Coreia. 
 




Source link