As contas públicas do país tiveram um superávit primário de R$ 103 bilhões em janeiro. O resultado engloba os desempenhos da União, Estados, Municípios e empresas estatais, com exceção dos bancos públicos. O resultado é muito próximo ao de janeiro de 2025.

O Banco Central divulgou, nesta sexta-feira (27), o relatório das Estatísticas Fiscais. Essa conta envolve o que os governos arrecadaram menos o que gastaram em janeiro.

O relatório mostra que o governo federal teve um superávit de R$ 87,3 bilhões, e os governos estaduais e municipais, superávit de R$ 21,3 bilhões. Por outro lado, as estatais ficaram no vermelho, em R$ 4,9 bilhões.

Se considerarmos os juros pagos, o resultado continua no azul, mas cai para R$ 40 bilhões. No mês passado, o governo pagou R$ 63 bilhões em juros, R$ 20 bilhões a mais que em janeiro de 2025, por causa da taxa Selic maior e do aumento das dívidas, segundo o Banco Central.

Esse resultado positivo costuma se repetir no começo do ano, segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha.

“Superávits nominais nas estatísticas fiscais são raros, e aconteceu nesse mês em função da gente ter uma sazonalidade bastante favorável para a obtenção de superávits primários bastante elevados no mês de janeiro”.

O economista Newton Marques explica que o início do ano é ajudado com o pagamento de impostos atrasados, alterações de alíquotas e poucas despesas, além da economia aquecida.

Os números do relatório são positivos, mas ainda não dá para traçar uma tendência para o resto do ano.

“Você tem mudanças importantes, como foram os casos da isenção do imposto de renda de pessoas que ganham até R$ 5 mil, cobrança de tributos no chamado andar de cima, de 10%. E se, por acaso, esses chamados penduricalhos que o Supremo tá querendo fazer com que sejam contidos, isso também pode trazer algum tipo de benefício para os gastos públicos”.

Ainda segundo o relatório, a dívida líquida, que calcula o que o país deve com o que tem a receber, teve uma queda e chegou 65% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a R$ 8,3 trilhões.

Já a dívida bruta se manteve estável em 78,7% do PIB, cerca de R$ 10,1 trilhões.




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