Nesta quarta-feira completam dois meses do desaparecimento de dois irmãos, de 4 e 6 anos, no interior do Maranhão. Até agora não há novas pistas sobre o paradeiro das crianças, apesar das centenas de agentes mobilizados nas buscas. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do estado, Célio Roberto, e o delegado Ederson Martins participaram nesta segunda-feira em Brasília de um debate na Comissão de Direitos Humanos do Senado sobre o desaparecimento de crianças e adolescentes. Na audiência, foram trazidos detalhes mais recentes sobre o caso.

Os irmãos Ágatha Isabelle e Alan Michel desapareceram no dia 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, a 20 quilômetros da cidade maranhense de Bacabal e a aproximadamente 250 quilômetros da capital São Luís. No início, havia três crianças desaparecidas. Anderson Kauan, de 8 anos, foi encontrado poucos dias depois por um carroceiro em um povoado vizinho de Santa Rosa, a cerca de 4 quilômetros de distância. Ele estava debilitado e tinha perdido cerca de 8 quilos. Kauan tem transtorno do espectro autista e o atendimento foi acompanhado por psicólogos e especialistas.

Cães farejadores indicaram que as três crianças passaram por uma casa abandonada às margens do Rio Mearim. De acordo com o delegado Ederson Martins, o rastro de Ágatha e Alan indicava deslocamento em direção ao rio, enquanto o de Kauan seguia pela trilha onde ele acabou sendo localizado:

“Foram quatro cachorros, quatro K9s que foram com os odores específicos das três crianças. Quando se passava da Ágatha e do Alan, os cães iam em direção ao rio. Faziam o mesmo percurso que o Kauan teria explicado onde teriam ficado na casa e iam em direção ao rio. Quando era do Kauan, ele pegava a trilha onde o Kauan foi localizado, o que comprova que os cães tinham um veredito real que as crianças teriam tido ali e ido no local correto”, diz.

As buscas envolveram aeronaves, mergulhadores, botes, lanchas e câmeras de detecção de calor. No pico da operação, mais de mil pessoas entre agentes e voluntários participaram dos trabalhos. A área de varredura ultrapassa 50 quilômetros quadrados em região de mata fechada, terreno irregular com açudes e de difícil acesso. A Marinha utilizou um sonar para varreduras e percorreu cerca de 180 quilômetros de rio, mas nada foi encontrado.

Após mais de um mês, o trabalho passou a revisitar áreas já mapeadas anteriormente. A investigação está sob responsabilidade de uma comissão formada por três delegados e as buscas continuam por determinação do governo estadual, explicou Ederson Martins:

“Vamos dar um exemplo: um algoz encontra duas crianças perdidas e ali faz o mal. Poderia ter essa possibilidade? A gente não pode descartar. Poderiam ter caído, igual falaram que a gente tinha dado essa versão que eles teriam efetivamente caído no rio e se afogado, morrido… essa versão não foi dada em momento algum oficialmente pela Polícia Civil. Seria uma das hipóteses? Sim, como várias hipóteses podem ter ocorrido a partir dali. Mas o que a gente tem pontual é que até aquela chegada não existe uma quarta pessoa envolvida.”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito ainda não foi concluído e que, até o momento, não é possível apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas sobre o caso.

*Com produção de Luciene Cruz




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