Dois estudos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro comprovaram que o uso indiscriminado de suplementos alimentares pode trazer riscos à saúde. Os trabalhos foram conduzidos por cientistas do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes e financiados pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado (Faperj).

Com a ideia de ampliar o rendimento físico, os suplementos alimentares compõem a indústria do bem-estar – uma das que mais movimentam o mercado mundial.

Dados da Global Wellness Institute, instituição americana, referência na análise do mercado do bem-estar, apontam uma projeção de faturamento de US$ 10 trilhões até 2029. A maior parte são produtos ergogênicos, ou seja, capazes de melhorar o desempenho físico ao praticar alguma atividade. Entre os mais vendidos estão a creatina, cafeína, nitratos e o bicarbonato de sódio.

No entanto, um dos autores dos estudos, Eduardo Dantas, explica que os efeitos dos produtos são superestimados:

“É claro, em determinados contextos, principalmente em atletas, alguns desses suplementos realmente se mostram eficazes, mas sabemos que isso não se encaixa para a maior parte da população. Alguns problemas surgem quando as pessoas usam suplementos sem orientação e até mesmo quando passam a usar vários suplementos ao mesmo tempo, acreditando que isso poderia potencializar os seus efeitos, sem considerar o contexto em que eles são utilizados.”

Muitas das substâncias usadas na composição dos suplementos, quando metabolizadas principalmente pelo fígado, podem ocasionar insuficiências renal e cardíaca, além de hepatite, dores de cabeça e abdominais, além de problemas ósseos. Grupos com condições pré-existentes podem ter seu estado de saúde agravado.

Mesmo os extratos vegetais, associados à melhora natural da saúde humana, podem ser tóxicos ao organismo quando consumidos indevidamente. Eduardo Dantas faz o alerta até mesmo para os produtos que supostamente possuem apenas um componente:

“Apesar de encontrarmos suplementos sendo vendidos como substâncias isoladas, como é o caso das cápsulas de cafeína, por exemplo, muitas empresas utilizam misturas com múltiplos ingredientes, incluindo muitas substâncias e até mesmo extratos de plantas. Existem casos bem documentados, inclusive, de substâncias que já foram usadas em suplementos e depois proibidas e que mesmo proibidas ainda podem ser encontradas no mercado.”

Segundo o pesquisador, para que haja segurança no consumo de suplementos, é preciso combater a ideia da “pílula mágica que vai resolver seus problemas instantaneamente”, pois estes produtos tendem a oferecer mais riscos do que benefícios.

Sob supervisão de Vitória Elizabeth, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, João Barbosa




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