O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou o médico Matheus Gabriel Braia a pagar indenização de 40 salários mínimos por trote machista, misógino, sexista e pornográfico contra calouras da Universidade de Franca. O caso aconteceu em 2019, quando Braia foi convidado, como ex-aluno de Medicina da Unifran, a participar de um trote. 

Segundo o Ministério Público de São Paulo, ele submeteu os calouros, principalmente as mulheres, a situações humilhantes e submissas. O veterano fez os estudantes repetirem um juramento marcado por ofensas, preconceito, violência, objetificação feminina e cultura do estupro. Os calouros entoaram frases como: “prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e facefianas, alunas do Centro Universitário Municipal de Franca”.

Além disso, disseram: “me reservo totalmente à vontade dos meus veteranos e prometo sempre atender aos seus desejos sexuais” e “juro solenemente nunca recusar uma tentativa de coito de veterano, mesmo que ele cheire a ‘cecê’ vencido e elas, a perfume barato”.

Nessa segunda-feira (30), Cristiano Zanin derrubou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de instâncias inferiores que absolviam o médico por entenderem que o discurso não causou ofensa à coletividade das mulheres.

Para Zanin, esses comportamentos não devem ser incentivados nem considerados brincadeiras jocosas, pois são formas de violência psicológica que, muitas vezes, incentivam e transbordam para a prática de violências físicas que, no ano passado, resultou no feminicídio de quase 1.600 mulheres. Segundo o ministro, o STF tem sido provocado a decidir o óbvio para garantir a própria existência digna das mulheres.

A Rádio Nacional entrou em contato com o escritório de advocacia que faz a defesa do médico e aguarda retorno. 
 




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