O dia 30 de abril é um símbolo de resistência e conquista para as mulheres brasileiras. Instituído para homenagear Jerônima Mesquita, fundadora do movimento feminista no país. O Dia Nacional da Mulher convida a olhar para trás e entender como os direitos de hoje foram pavimentados no passado. Para quem usa a voz e a imagem para comunicar na era digital, essa herança de luta é um combustível diário, como é o caso de Odara Axé, cantora e blogueira paraense.
“Já enfrentei muitos desafios ao longo da minha vida, mas ter que provar o meu valor o tempo todo às vezes é cansativo”.
A trajetória de Jerônima Mesquita, iniciada no fim do século XIX, foi decisiva para que as brasileiras pudessem, pela primeira vez, chegar às urnas em 1932. Ela pressionou o Estado pelo sufrágio e organizou frentes de assistência social e educação feminina. Uma mobilização que, para Odara Axé, reflete a necessidade constante de renovar o debate sobre igualdade.
“Esse fato de que a gente tem que “botar a cara a tapa” mesmo, fazer acontecer… Eu acho que “fazer acontecer” me resume, assim, no sentido em desafios que eu já passei na minha vida. Não teve um que não chegou até mim — um desafio, uma proposta, um trabalho — que eu não tenha feito e feito 100% e dado o meu melhor. Em relação a desafios da minha vida, eu acredito muito que eu entrego demais. Sou uma mulher forte, assim como muitas brasileiras são. Nesse dia, que é o nosso dia, eu acho que fica o atento. Às vezes a gente não precisa provar para ninguém; apesar de a gente, às vezes, sentir a necessidade, a gente tem que provar para nós mesmas, ser nós mesmas”.
Mas o impacto histórico vai além do simbolismo. Especialistas apontam que o reconhecimento de figuras como Jerônima ajuda a sociedade a compreender que o feminismo no Brasil possui raízes profundas e estruturadas. É um processo de construção de cidadania que exige análise crítica sobre representação feminina em todos os âmbitos da comunicação e da ciência, conforme explica Carolina Moura, professora e doutora em Ciências da Comunicação.
“Para a gente ter uma sociedade mais justa no sentido da igualdade de gênero, a gente precisa que esse assunto seja conversado com as crianças, com os jovens, desde a infância mesmo. Então, pensar em momentos do dia a dia, como divisão das tarefas de casa; meninas e meninos podem contribuir nessas tarefas, o que muitas vezes ainda acontece é que isso fica a cargo das meninas. A gente precisa pensar também em políticas públicas e que também as próprias empresas entendam que é muito importante que as mulheres se vejam e ocupem cargos de liderança nas empresas, e que as mulheres ocupem espaços também de liderança na ciência, na tecnologia, para que as mulheres possam crescer com a ideia de que podem ocupar os espaços, que diversos espaços são também para as mulheres e que o gênero não deve limitar as nossas ocupações, não deve limitar os nossos sonhos. Mas não dá para a gente falar de nenhuma dessas coisas sem pensar também na redistribuição econômica”.
Entre vitórias históricas e novas demandas, o 30 de abril permanece como um marco necessário em 2026. A data reforça que a participação feminina na vida pública é uma jornada contínua por respeito e justiça social.