O mundo registrou avanços na saúde nas últimas duas décadas, mas ainda está longe de atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030.
A conclusão está nas Estatísticas Mundiais de Saúde 2026. O relatório foi publicado nesta quarta-feira (13) pela Organização Mundial da Saúde.
As mortes por HIV, o vírus que causa a Aids, caíram 40% desde 2010, segundo o documento. E a incidência de tuberculose teve recuo de 12% desde 2015.
Por outro lado, a malária aumentou mais de 8% na última década. Mas, se acordo com o relatório da OMS, o maior impacto sobre a saúde veio da pandemia.
Entre 2020 e 2023, a Covid-19 causou mais de 22 milhões de mortes, três vezes mais que o número oficial, apagando quase uma década de avanços na expectativa de vida global.
Para a OMS, o panorama é preocupante. O progresso em direção aos objetivos da ONU é insuficiente, desigual entre regiões e cada vez mais vulnerável a choques sistêmicos.
Uma carga desproporcional recai sobre países de baixa renda e comunidades desassistidas em contextos de conflito.
Além das doenças infecciosas, o relatório aponta que fatores de risco evitáveis travam o progresso, como a prevalência de anemia em mulheres, que subiu para mais de 30%.
O estudo ainda mostra que a violência contra mulheres continua disseminada, atingindo quase 25% daquelas com mais de 15 anos.
Desde 2000, a taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos caiu 51%, e a taxa materna teve queda de 40%, mas o número é quase três vezes maior do que a meta da ONU.
Outro dado importante: o progresso rumo à cobertura universal de saúde desacelerou consideravelmente, segundo as estatísticas divulgadas nesta quarta.
A cobertura de quatro vacinas infantis ainda está abaixo da meta global de 90%, especialmente para a segunda dose da vacina contra o sarampo.
Já no campo econômico, o documento destaca que cerca de um quarto da população global enfrenta dificuldades financeiras devido aos gastos diretos com saúde.
Mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem na pobreza ou foram empurradas para ela devido a despesas médicas até 2022.