Levantamento inédito sobre câncer mostra que a desinformação é um dos obstáculos na luta contra a doença.
Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido, conforme relatório “Mais Dados, Mais Saúde: Percepções da População Brasileira sobre Fatores de Risco para o Câncer”, realizado por Vital Strategies e Umane, com apoio do Instituto de Viver, em parceria com o Instituto Nacional de Câncer.
De acordo com o INCA, um dos principais diferenciais do estudo é possibilitar uma análise mais aprofundada da percepção da população sobre os fatores de risco. A pesquisa ouviu mais de 6.500 pessoas, com 18 anos ou mais, em todo o país, entre setembro e outubro de 2025.
Enquanto o fumo é amplamente conhecido como um fator de risco, o consumo de produtos ultraprocessados e embutidos, inatividade física, sobrepeso e obesidade são menos associados ao câncer pela população, destaca a diretora adjunta de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Vital Strategies, Luciana Sardinha.
“A comunicação pública, a partir de campanhas, tem grande relevância para o conhecimento da população da mudança de comportamento, para ter uma vida mais saudável. Então, nós precisamos de políticas públicas que oportunizem essas melhores escolhas. Isso foi trabalhado no Brasil em relação ao tabaco e à exposição solar. Agora a gente precisa chamar a atenção do álcool, dos ultraprocessados, do sedentarismo, do excesso de peso como fatores de risco também importantes”, diz.
A pesquisa revelou também percepções equivocadas entre os brasileiros. 61,3% acreditam que tomar suplementos de vitaminas e minerais reduz o risco de câncer.
No entanto, de acordo com a especialista, a recomendação é consumir sempre uma alimentação saudável e variada.
“O que a gente tem hoje já descrito na literatura é que uma alimentação saudável, ela fornece a quantidade adequada do que a gente precisa como nutrientes. Embora o uso de suplemento ele possa ser feito com prescrição médica para necessidades muito específicas, no dia a dia, o que é um fator grande de risco é uma alimentação não saudável. Isso se junta a vários outros fatores, como consumo de álcool, de tabaco, que também são fatores de risco tanto para jovens quanto para adultos na população”, fala.
Nesse contexto, 86,3% da população afirma consumir frutas, legumes e verduras, e entre os que não consomem, 8,3% têm intenção de adotar o hábito.
Outro fator que merece destaque é o aleitamento materno. Apesar dos seus benefícios para o bebê e para quem amamenta, quatro em cada dez entrevistados ainda não o reconhecem como fator de proteção para o câncer de mama.
Em relação à carne vermelha, verificou-se maior proporção de indivíduos que relataram consumir sem ter tentado reduzir, cerca de 45%. Ela é seguida por aqueles que consomem e tentam reduzir — aproximadamente 40% —, sendo o não consumo menos frequente, em torno de 10%.
Ainda de acordo com a pesquisa, jovens de até 24 anos são os que mais consomem esses produtos sem a intenção de reduzir: 32,3% têm esse comportamento com relação aos ultraprocessados; 24,4% quando se trata de bebidas adoçadas; 29,5% quando perguntados sobre embutidos; e 49,1% têm esse comportamento em relação à carne vermelha.
Dados do INCA mostram que o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028.