As atenções dos exportadores brasileiros estão voltadas para Washington nesta semana, onde o país é alvo de duas audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. As investigações podem resultar em sobretaxas sobre produtos brasileiros.
As audiências, que começaram nessa segunda-feira (6), analisam supostas práticas comerciais desleais do Brasil. A primeira delas trata da proposta norte-americana de aplicar uma tarifa extra de 25% sobre uma série de produtos nacionais. Estão em pauta questões como o comércio digital, o sistema Pix, tarifas e o acesso ao mercado de etanol. A segunda audiência, realizada nesta terça-feira (7), investiga falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão. Os EUA utilizam a chamada Seção 301 para embasar essas investigações.
Entidades brasileiras reagem
Entidades brasileiras como a CNI, a CNA e a Embraer se inscreveram para defender os interesses do país. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, avaliou como positiva a participação do setor produtivo:
“Avaliamos como muito positivo o fato de que os setores produtivos brasileiros, as representações, a CNI, dentre outros, tenham participado defendendo a nossa posição contrária às tarifas, a indicação da absoluta injustiça que representa a própria Seção 301, o não cabimento das recomendações que foram expedidas.”
Uma das preocupações do Brasil é o impacto sobre as exportações de rochas naturais, que movimentaram quase US$ 800 milhões no ano passado. O governo brasileiro já enviou um documento ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos contestando os argumentos e pedindo que não haja medidas unilaterais.
Diálogo
Apesar do cenário de tensão, o ministro Márcio Elias Rosa sinalizou que o diálogo continua aberto:
“Não sairemos da mesa de negociação em momento algum e não permitiremos jamais que o tema que não diga respeito à relação comercial, à relação econômica, à boa relação política que o Brasil sempre teve com os Estados Unidos deixe de presidir ou orientar as conversas. Não há espaço para discussão de outra natureza, político-eleitoral, egoística, qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil.”
As discussões ainda devem se estender até quinta-feira (9). O governo brasileiro aguarda novas rodadas de negociação técnica e política ainda esta semana.