O Secretário-Geral das Nações Unidas realiza a primeira visita oficial à Síria desde o início do conflito em 2011. António Guterres chegou neste sábado à capital Damasco para conversar com autoridades após a queda do regime de Bashar al-Assad, em 2024.
Ao desembarcar, Guterres se encontrou com o presidente sírio, Ahmed Al-Sharaa. Um dos temas das reuniões é a passagem da primeira resposta humanitária emergencial na transição política, para uma fase de fortalecimento da estabilidade e recuperação econômica.
Em coletiva de imprensa, ao lado do ministro de Relações Exteriores da Síria, Guterres classificou o país árabe como um “pilar de estabilidade do Oriente Médio”, que vive um “momento de possibilidades”. Por isso a necessidade de garantir a “justiça de transição, a elaboração de uma constituição permanente e eleições livres e justas”.
Guterres também defendeu a necessidade de parcerias globais para restaurar serviços essenciais, infraestrutura e viabilizar o retorno de refugiados e pessoas deslocadas.
A agência da ONU para refugiados estima 7 milhões de deslocados dentro da Síria, além de quase 5 milhões de refugiados, apenas em países próximos, como Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito.
O Secretário-Geral também repetiu a posição da ONU, de que as Colinas de Golã, ocupadas por Israel há quase 50 anos, são território sírio e classificou como “inaceitáveis” as violações da integridade territorial.
Na visita que vai até segunda-feira (27), Guterres se encontra com representantes da sociedade civil, grupos de mulheres e comunidades locais. O Secretário-Geral da ONU vai discursar na nova Assembleia Popular da República Árabe da Síria antes de viajar para Chipre, no mar Mediterrâneo.