O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal por vários meses, provocando mudanças nas temperaturas. Uma pesquisa feita pela Nexus aponta que o fenômeno tem despertado cada vez mais o interesse dos brasileiros. Entre março e maio deste ano, a busca sobre o tema no Google foi 903% maior que o trimestre anterior. Nas redes sociais foram registradas 27,4 mil menções em português sobre o tema. A especialista em neurociência aplicada à arquitetura, Ina Paz, explica como o fenômeno se manifesta no Brasil.
“Aqui no Brasil, a gente vê nitidamente uma mudança associada ao El Niño com mais calor e mudanças no padrão da distribuição de chuvas. Inclusive, o que a gente tá acostumado a ver no Norte, a gente vê de maneira diferente, o que tá acostumado a ver no Sul. Isso é completamente alterado”.
De acordo com o boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o El Niño já está atuando no Brasil, com probabilidade de permanecer até, pelo menos, o início de 2027. A arquiteta alerta que os impactos do fenômeno vão além da agricultura, do abastecimento de água devido à seca e, consequentemente, da economia.
“Existem paredes que estão sofrendo mais com o sol do que outras? As chuvas vêm de qual direção? A gente pode fazer uma previsão dessa proteção. Trazer vegetação para dentro de casa, plantas têm esse poder de fazer uma regulação de temperatura, elas geram sombra, a ventilação é influenciada. É base da construção entender o clima do lugar”.
Ina Paz reforça que enfrentar os impactos do fenômeno exige um esforço coletivo.
“É importante salientar que as mudanças que a gente faz dentro de casa sozinhas, elas não são completamente eficientes, porque precisa haver um esforço coletivo, em primeiro lugar, o poder público, em uma conexão entre o desenho urbano e as estratégias de drenagem, de infraestrutura, e em seguida, as nossas… os nossos esforços enquanto cidadãos mesmo”.