Mais de 50 anos depois do Massacre de Manguinhos, episódio ocorrido em 1970, que levou à cassação de dez cientistas da Fiocruz pelo regime militar, a instituição realizou nesta quarta-feira (5), a concessão póstuma do título de pesquisador emérito a esses profissionais.
O evento também celebrou os 40 anos da reintegração dos cientistas.
O objetivo da homenagem foi reconhecer a trajetória e a contribuição desses pesquisadores para o desenvolvimento científico da fundação e do país.
A cassação dos profissionais foi determinada com base no AI-5, Ato Institucional Nº 5, editado em dezembro de 1968, marcando o início da fase mais dura da ditadura militar no Brasil.
Rivaldo Venâncio, chefe de gabinete da Fiocruz, destacou o impacto da medida para a produção científica brasileira.
“O massacre de Manguinhos representou uma interrupção em todo um processo de pesquisa e de produção de conhecimento científico que existia na Fundação Oswaldo Cruz. Ao serem impedidos de trabalhar dentro do Brasil, tiveram seus direitos políticos cassados, esses cientistas não somente interromperam pesquisas individuais, como tiveram bloqueadas qualquer possibilidade de participação em projetos de pesquisa, em formação de alunos…”
A entrega da outorga póstuma ocorre no Dia Nacional da Saúde, celebrado na data de nascimento do médico sanitarista Oswaldo Cruz, cientista que liderou o combate às epidemias no Brasil.
A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da educação sanitária e de um estilo de vida saudável.