No Piauí, a polícia recuperou e apreendeu, nessa quinta-feira (13), um acervo com registros de escravizados e documentos do Brasil Império, mas que corria risco de destruição, em situação de abandono.
O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços, nos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco.
A promotoria do Piauí localizou o acervo de valor histórico e cultural ligados não apenas à escravidão, mas também à história do Piauí e à Batalha do Jenipapo. Esse episódio foi um dos confrontos mais sangrentos que ajudou a garantir a independência do país nas regiões Nordeste e Norte. Também foram encontrados livros de registros de compra e venda de pessoas escravizadas do Brasil Império.
Segundo o titular da Promotoria de Campo Maior, Maurício Gomes, parte do material estava na posse de uma fundação privada, mas em situação de abandono. O Ministério Público realizou a busca e apreensão, após não conseguir contato com a procuradora e presidente da fundação. O material apreendido, que corria o risco de se perder, será analisado pela Universidade Federal do Piauí.
O abandono do acervo acontece em um contexto de aumento da venda ilegal de documentos históricos brasileiros em leilões. Nos últimos três anos, o Arquivo Nacional identificou pelo menos dez casos desse comércio criminoso.
No Brasil, os documentos restantes sobre compra e venda de pessoas escravizadas tem importância vital para a memória. Em 1890, menos de dois anos após a abolição oficial, o então ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, ordenou que toda documentação relativa à escravidão fosse enviada ao Rio de Janeiro para ser destruída.