O fundador da incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, mas que já foi o homem mais rico da Ásia, foi condenado à prisão perpétua por um tribunal chinês nesta quinta-feira (20), cinco anos depois do colapso da empresa ter abalado a economia da China.
Hui Ka Yan, que criou a empresa Evergrande há 30 anos, se declarou culpado de oito acusações, entre elas: desvio de fundos, fraude na captação de recursos, captação ilegal de depósitos, empréstimos ilegais, emissão fraudulenta de títulos e suborno. Além da prisão perpétua, todos os bens pessoais do fundador foram confiscados.
Segundo a sentença do tribunal chinês, entre 2016 e 2021, as empresas da Evergrande cometeram fraude financeira sistemática para inflar ativos e ocultar os passivos.
A empresa do setor imobiliário e construção civil já foi a maior da China. Em 2017, o fundador tinha uma fortuna pessoal de mais de US$ 45 bilhões. Mas as dificuldades da empresa em pagar dívidas de até US$ 300 bilhões geraram protestos. Em 2021, o calote fez as bolsas de valores pelo mundo despencarem.
Segundo a agência Reuters, Hui Ka Yan não era visto desde que foi detido em 2023. O tribunal na província de Guangdong, divulgou imagens dele, enquanto a sentença era lida. Outros cinco executivos foram condenados a penas de até 18 anos. Ao todo, 56 pessoas foram sentenciadas nesta quinta.
A incorporadora chinesa e uma subsidiária também foram multadas em mais de 15 bilhões de yuans, cerca de US$ 2,4 bilhões.
Ainda de acordo com a Reuters, a liquidação da empresa chinesa Evergrande vem se arrastando. Até agosto do ano passado, haviam sido vendidos ativos no valor de US$ 255 milhões, muito pouco em comparação com os US$ 45 bilhões exigidos pelos credores.