Vídeos desinformativos sobre cigarros eletrônicos em circulação no Youtube tentam burlar leis que proíbem a publicidade de tabaco na internet brasileira. Entre as irregularidades estão a ausência de menção à proibição legal de propaganda de tabaco e cigarros eletrônicos no Brasil, estabelecida em 2000, e a falta de informação indicando que o conteúdo é restrito a maiores de 18 anos. É o que afirma uma nota técnica divulgada pela Fiocruz na quinta-feira (27).
O alerta destaca ainda que os conteúdos negam evidências científicas sobre os riscos da nicotina e desacreditam autoridades sanitárias.
Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. Especialistas afirmam que eles causam dependência e provocam lesões no pulmão. Pessoas entre 15 e 24 anos somam cerca de 70% dos usuários desses produtos no Brasil.
A nota afirma que os cinco canais identificados acumularam mais de 6 milhões de visualizações e somam 400 mil pessoas inscritas. Eles ensinam como usar o produto, avaliam os modelos, oferecem cupons de desconto e links para compra, além de trazer entrevistas com especialistas defensores do cigarro eletrônico. Os conteúdos são também recomendados pela plataforma em buscas sobre o tema.
A nota reforçou também que o YouTube apresenta uma autorregulação frágil, ao desconsiderar leis como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Antifumo e o Eca Digital. O estudo técnico defende uma articulação maior entre Estado e sociedade civil para pensar soluções que ampliem a segurança dos brasileiros na plataforma. Além disso, propõe a realização de um acordo com o Youtube referente à proibição da publicidade do tabaco nos canais brasileiros, incluindo também influenciadores digitais que promovam, gratuitamente, conteúdos informativos sobre os riscos dos cigarros eletrônicos.
O YouTube foi procurado, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.