Durante o mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e valorização da vida, o Centro Especializado em Reabilitação da Barra, em Salvador, lança luz sobre um tema urgente: o esgotamento emocional de mulheres que acompanham a rotina de tratamento e desenvolvimento de crianças neurodivergentes.

A psicóloga Josenilda Liberato explica que a assistência de uma criança com espectro autista envolve um processo contínuo de adaptação e expectativa, e muitas vezes nessa jornada é comum que a mãe seja vista apenas pelo papel de cuidadora, enquanto suas próprias necessidades emocionais e físicas são deixadas de lado.

“Eu costumo dizer que quando o diagnóstico entra por uma porta, a maioria dos maridos, os homens, saem por outra. E essas mulheres, elas acabam ficando sozinhos, se sentindo sobrecarregadas, porque elas entendem e interiorizam que elas precisam dar conta de tudo.”

Para evitar a exaustão extrema, o acolhimento precisa vir de todos os lados: família, sociedade e serviços de saúde.

Pensando nisso, o Centro Especializado em Reabilitação da Barra criou o Projeto Afago, que oferece acolhimento e suporte emocional especializado para pais e responsáveis de crianças e adolescentes neurodivergentes atendidos na unidade.

Entre marcar consultas, medir crises e buscar direitos, o tempo da mãe atípica para olhar para si simplesmente desaparece.

A artesã Jamile Paixão, mãe do pequeno Henrique, encontrou no Afago a escuta e o acolhimento que precisava.

“Porque é um momento que você tá ali com outras mães que também estão vulneráveis, né, também estão cansadas, e você pode compartilhar a rotina, conversar, desabafar sem o medo do julgamento.”

Garantir suporte psicológico às mães atípicas não é apenas uma questão de empatia, mas uma medida essencial para a eficácia do próprio tratamento da criança.




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