A entrega do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos acontece na noite desta terça-feira (20), no Tucarena, o teatro da PUC, na capital paulista.
A TV Brasil e a Agência Brasil, veículos da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação, da qual a Rádio Nacional também faz parte, estão entre os vencedores da edição de número 48.
Antes da cerimônia, os autores das produções premiadas participaram de uma roda de conversa e de uma visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog, no centro da cidade.
O programa Caminhos da Reportagem da TV Brasil foi premiado pelo episódio “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão”. A produção, exibida em 20 de abril deste ano, retrata a história de cinco mulheres resgatadas do trabalho doméstico análogo à escravidão. A repórter Ana Graziela Aguiar, que integra a equipe do programa, comenta a importância da discussão do tema na comunicação pública.
“Pra gente, que trabalha com comunicação pública, dar voz a essas mulheres, contar essas histórias e mostrar que esse é um Brasil não tão profundo quanto a gente imagina, que está em vários lares próximos da gente, é muito importante. E ser agraciado com o prêmio de direitos humanos mais importante do Brasil, que leva o nome de Vladimir Herzog, é de uma alegria, de uma emoção imensa. Então, a nossa equipe está extremamente feliz com essa premiação”.
O programa Caminhos da Reportagem também concorreu com o episódio finalista “O Eterno Abril de Carajás: 30 anos de um massacre”, sobre uma das maiores repressões policiais contra a luta pela reforma agrária, que deixou 21 mortos e dezenas de feridos em Eldorado do Carajás, no Pará, em 1996.
A Agência Brasil foi premiada na categoria fotografia com o registro do fotógrafo Tomaz Silva, que capturou em suas lentes a dor de uma viúva após a operação policial mais letal do Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos em outubro do ano passado. A fotografia, que circulou em sites do Brasil e do exterior, ilustra a dor de Fernanda da Silva Martins, abraçada ao corpo do companheiro morto.
Nesta edição, o Prêmio Vladimir Herzog homenageia o jornalista Jamil Chade, por sua trajetória em coberturas de crimes contra a humanidade. O cartunista e chargista Paulo Caruso, que morreu em 2023, também é homenageado por sua contribuição para a história recente do Brasil, com seu traço afiado, carregado de humor e crítica.
A premiação, que teve sua primeira edição em 1979, celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar no dia 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-CODI, órgão de repressão, detenção e tortura em São Paulo. Na época, o regime militar alegou que Herzog teria cometido suicídio.