Música, moda e um motivo especial para homenagear mulheres que enfrentam a rotina do tratamento contra o câncer de mama. Nesta quarta-feira (21), as pacientes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) foram protagonistas de uma festa dedicada à autoestima, ao acolhimento e à celebração da vida.

A ação especial ocorreu no Hospital do Câncer III, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, e integra as ações do Outubro Rosa. 

A iniciativa chama atenção para a conscientização, a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, como enfatiza o diretor do INCA III, o mastologista Marcelo Bello.

“Você tem que conhecer seu corpo. Se encontrar algo diferente na sua mama, procure alguém pra te ajudar a entender o que é aquilo. Pode ser um mastologista, um ginecologista, uma enfermeira, um médico da saúde da família, da UBS. E não tem que ter medo. O medo do diagnóstico do câncer de mama só atrapalha. Câncer de mama tem cura e não é sentença de morte. Se você faz o diagnóstico apropriado, você trata e se cura”.

Um dos pontos altos da programação foi o desfile de moda, no qual pacientes usam modelos especialmente adaptados para suas realidades, roupas que facilitam o acesso ao cateter sem precisar serem totalmente removidas, ideal para sessões de quimioterapia, exames e cuidados diários.

O evento contou com a presença de mulheres que, além dos cuidados médicos, também encontram espaço para celebrar a própria história, como a comerciante autônoma de cosméticos, Tamiris Guimarães, de 34 anos. Ela descobriu um câncer no seio em 2024, durante o banho. Um mês atrás, retirou por completo uma das mamas.

“Eu sempre fiquei em segundo plano. Mesmo muito novinha, eu vivia em função dos outros. Era trabalho na frente, família na frente e eu ficava pra depois. Por vezes eu não me olhava. A doença veio pra isso, pra eu me olhar com mais carinho, mais cuidado, atenção, merecimento, mais amor próprio. Hoje posso dizer que me amo muito mais e que tenho outro olhar sobre mim”.

Já a supervisora de hotelaria hospitalar Barbara Muniz foi diagnosticada no ano passado, após descobrir a doença durante um treino de jiu-jitsu. Operada e em plena recuperação, ela dá a receita de como tornar mais leve a jornada rumo à cura.

“Eu nunca falei que eu estava doente. Estou em tratamento e agora estou curada. Então, se olhar mais, se amar mais, se respeitar mais e dar limite pras pessoas que não têm limite, que querem te desrespeitar, te colocar pra baixo. A autoestima, que é maravilhosa, com abraço, com carinho… vai ter dias bons, dias ruins fazem parte, nem todo dia você está bem, tem dia que você ri, que você chora, mais aí você sacode a poeira, se maquia, vai pra rua, pega sol, tira foto, tá com a família, com amigos, mas você não está sozinha”.

O evento também contou com apresentações artísticas, oficinas de beleza, saúde, bem estar, interação com personagens infantis e momentos de confraternização entre pacientes, profissionais de saúde e voluntários.




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