Pode-se dizer que mentir faz parte das relações sociais e nem sempre tem um peso negativo. Em muitos casos, é uma forma de evitar conflitos ou não magoar outras pessoas. Mas quando a mentira passa a ser frequente, compulsiva, pode indicar um quadro mais sério. A mitomania é considerada um tipo de comportamento que pode estar associado a outras questões emocionais, segundo a psiquiatra Paula Dione.
“A mitomania atualmente é vista como uma questão de comportamento mesmo, não exatamente como uma doença. Ela não tem, por exemplo, uma classificação. A gente tem aquela famosa Classificação Internacional das Doenças, o CID. Você não vai ter um CID que contemple a mitomania porque ela não é vista como uma entidade isolada, uma doença isolada, vamos dizer assim, né? Ela pode vir como parte de algum transtorno.”
Diferente da mentira ocasional, a mitomania se caracteriza pela repetição constante de histórias que distorcem a realidade. Em geral, são narrativas que exageram fatos ou criam situações inexistentes.
“A pessoa, ela tende a colocar ali uma história até certo ponto, assim, crível, né? Ela tenta se fazer acreditar, ela tenta se fazer convencer. Então, ao mesmo tempo que tem algum toque de exagero, porque em geral, assim, a gente pode classificar muito resumidamente em dois tipos principais de mentiras, que seriam aquelas mentiras mais agressivas no sentido de que o cara quer convencer, ele quer, por exemplo, vender, convencer a fazer algo, ele quer impor, vamos dizer assim, um comportamento. Então isso seria uma mentira um pouco mais agressiva. Ou aquela mentira mais defensiva, que ela vem na verdade para tentar encobrir o que a própria pessoa identifica como uma fraqueza, uma falta.”
Conforme a psiquiatra Paula Dione, a psicoterapia é uma das principais formas de tratamento, mas cada caso tem suas particularidades.
“O carro-chefe, vamos dizer assim, né, a primeira linha, a primeira proposta realmente é a psicoterapia. Mas isso partindo do princípio que o indivíduo está identificando que aquilo traz prejuízo e que ele se interessa, se motiva a conversar sobre e a desenvolver estratégias para mudar o repertório dele.”