A liquidação do conglomerado ligado ao Banco Master pode levar a demissão de 1.500 trabalhadores. Levantamento do Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, indica a necessidade de mudanças no sistema financeiro para preservar a estabilidade do mercado. A economista responsável pelo estudo, Rosângela Vieira, reforça que os trabalhadores devem ter prioridade em receber seus direitos frente à liquidação:
“São trabalhadores do Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno. Todas essas instituições foram liquidadas e os trabalhadores possuem prioridade na ordem de pagamento. Existe ainda trabalhadores ativos para prestar contas para o liquidante nomeado pelo Banco Central. E é importante ressaltar que todos eles têm asseguradas as garantias estabelecidas na negociação coletiva”.
Caso a crise se alastre para o BRB, o Banco de Brasília, que adquiriu mais de 12 bilhões em títulos fraudados do Banco Master, o desenvolvimento da capital federal poderia ser diretamente afetado, já que o banco público é responsável por mais de 60% do financiamento imobiliário do Distrito Federal. Além disso, quase 4 mil trabalhadores do BRB poderiam ser afetados. Outra preocupação são os diversos fundos de pensão de servidores públicos que investiram em ativos do Banco Master. Foram encontrados 19 fundos estaduais e municipais que investiram quase R$ 2 bilhões no banco, o que pode impactar a previdência de mais de 630 mil trabalhadores, como explica a economista do Dieese:
“O estado do Rio de Janeiro é o que está mais exposto a esses ativos. Ativos que não estão cobertos pelo FGC. Pela falta de cobertura, pela falta de garantia, não existe certeza em relação ao retorno desses valores. Então isso pode provocar uma redução na rentabilidade desses fundos, gerar ampliação nos déficits atuariais e comprometer o pagamento desses benefícios”.
Rosângela Vieira aponta também que a crise no Master mostra as falhas na regulação do sistema financeiro nacional, além de indicar a captura do Banco Central por interesses privados, afetando diretamente a fiscalização dos bancos:
“É importante destacar também uma agenda de propostas para fortalecer o sistema financeiro nacional. Isso passa pela regulação das Fintechs, especialmente na questão prudencial, fiscal e também regulação trabalhista, evitando fraude, evitando o uso indevido dessas Fintechs para lavagem de dinheiro, por exemplo. No caso do Banco Master, existiu uma instituição de pagamentos que ajudou no mecanismo de fraude desse banco. As investigações falam sobre isso”.
A pesquisa do Dieese ainda ressalta a importância do controle social sobre o sistema financeiro, garantindo a participação dos trabalhadores no Conselho Monetário Nacional e de mecanismos para promover o desenvolvimento econômico, com a limitação dos juros abusivos pelos bancos.