Uma operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (16) investiga o suposto envolvimento do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, do PL, em um esquema de gestão fraudulenta, crimes na comercialização de combustíveis, lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio da Refinaria de Manguinhos, a Refit.
Com autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes, a Operação Sem Refino cumpriu mandados de busca e apreensão na Refit, em uma empresa coligada e nas casas de Cláudio Castro e de outras 11 pessoas. Os policiais apreenderam um celular e um tablet que pertencem ao ex-governador. Na residência de um policial civil, foram encontrados R$ 500 mil em uma caixa de sapatos.
Investigação
Claúdio Castro é investigado por atuar para favorecer e proteger os interesses do grupo Refit. Ele renunciou ao mandato para tentar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano, mas foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico.
A prisão do dono da Refit, Ricardo Magro, também foi decretada, mas o empresário está foragido nos Estados Unidos. A inclusão de Magro na lista vermelha da Interpol foi autorizada, para viabilizar sua extradição.
A Refit é uma das principais refinarias do país e está envolvida em investigações relacionadas ao crime organizado. A empresa é a maior devedora contumaz do país, com passivo superior a R$ 52 bilhões.
Sete pessoas foram afastadas de suas funções públicas, incluindo servidores públicos do estado do Rio do Janeiro e agentes das polícias Federal e Civil.
A Polícia Federal investiga um complexo esquema de fraudes na produção e na importação de combustíveis, além da facilitação, por parte de agentes públicos, para sonegação de tributos e funcionamento da refinaria.
O desembargador Guaraci Viana, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, também foi alvo de busca e apreensão por decisões favoráveis à Refit. Ele já estava afastado do cargo por determinação do Conselho Nacional de Justiça.
Defesas
A defesa de Cláudio Castro afirmou que todos os procedimentos praticados em sua gestão obedeceram a critérios técnicos previstos na legislação vigente.
O grupo Refit informou que as questões tributárias da companhia estão sendo discutidas nos âmbitos judicial e administrativo e que jamais falsificou declarações fiscais para obter vantagens.
Não conseguimos contato com as defesas do desembargador Guaraci Vianna e do empresário Ricardo Magro.