Você já teve a impressão de que os vagalumes estão desaparecendo? Estudos recentes constataram um declínio populacional preocupante em várias espécies desses insetos. Lucas Campello Gonçalves, doutorando do programa de pós-graduação em biodiversidade e biologia evolutiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estuda esse fenômeno. Ele integra o projeto de pesquisa Sistemática de Lucidotini”, dedicado a mapear a diversidade de vagalumes no Brasil. De acordo com o pesquisador, as principais causas para essa redução estão ligadas à interferência humana nos habitats naturais.
“A iluminação artificial das cidades reduz o contraste natural da noite, o que vai interferir diretamente na comunicação dos insetos bioluminescentes. Mas o problema vai muito além da luz artificial: desmatamento, a urbanização, o uso desenfreado de pesticidas, as mudanças climáticas, a poluição das águas… Como muitas espécies dependem de microambientes muito específicos, qualquer pequena alteração já pode causar um impacto significativo”.
Os vagalumes produzem luz a partir de um processo chamado bioluminescência, que ocorre através de reações químicas transformadas em energia luminosa dentro do seu organismo. Eles a utilizam principalmente para comunicação durante a fase reprodutiva, em padrões sequenciais e cores que variam entre as espécies. Há também espécies de vagalumes que não produzem luz na fase adulta e se comunicam por meio de feromônios. No Brasil, país com a maior diversidade de vagalumes do mundo, muitas espécies permanecem desconhecidas pela ciência. Cada uma com o seu estilo de vida próprio, ocupando habitats e se adaptando de formas diferentes. Diante desse cenário, o projeto “Sistemática de Lucidotini” vem identificando novas espécies de vagalumes e avaliando sua evolução, conforme explica Lucas Campello Gonçalves.
“A gente estuda as relações evolutivas entre as espécies para entender, por exemplo, como que a bioluminescência apareceu, foi perdida, como que diferentes adaptações a determinados ambientes podem ter influenciado a diversificação de espécies de vagalumes. Para além disso, esse tipo de pesquisa também é extremamente importante para a conservação, visto que pesquisadores de diversas partes do planeta vêm observando e vêm alertando para um possível desaparecimento dos vagalumes”.
A iniciativa também conta com a participação de pesquisadores das universidades Georgia e Western Carolina, nos Estados Unidos. Segundo os cientistas, compreender o histórico evolutivo da variedade de vagalumes e as causas do seu desaparecimento é fundamental para entender as mudanças na natureza cada vez mais impactadas pela ação humana.
*Supervisão de Fábio Cardoso