A Firjan, Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, recebeu, nesta terça-feira (10), a primeira edição do “Finep pelo Brasil”. A iniciativa marca o fortalecimento da articulação entre o setor produtivo e as políticas públicas de inovação, oferecendo a empresas de todos os portes e a startups a oportunidade de esclarecer dúvidas sobre como acessar editais e linhas de crédito dentro da nova proposta.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Finep lançaram 13 editais, que somam R$ 3,3 bilhões. Os recursos são para projetos da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial para modernizar e impulsionar a indústria nacional até 2033, focando em inovação, sustentabilidade, competitividade e criação de empregos. Empresas brasileiras de todos os portes podem se candidatar, e os valores não precisarão ser devolvidos às instituições concedentes.
Ao discursar no evento, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, ressaltou a importância de investimentos em pesquisa e inovação para garantir a soberania tecnológica do Brasil:
“Nós não podemos ser o país eterno das commodities. Nós não temos nada contra as commodities, mas não é suficiente. Nós precisamos ser um país soberano nos alimentos, ser exportador de alimentos, mas não é só isso. Até mesmo na agricultura, nós precisamos ter mais drones, inteligência artificial, ter soluções tecnológicas que vão melhorar nossa produtividade. O grande paradoxo no Brasil é que a gente é o 13º em pesquisa e desenvolvimento e é o 59º em inovação. A ciência tem que sair do papel.”
Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, o aporte é uma resposta necessária às incertezas do cenário atual, servindo como alavanca para que as empresas superem os desafios tecnológicos e se consolidem na economia digital:
“Esse ambiente afeta, principalmente, as micro e pequenas indústrias, que, no Rio, respondem por mais de 74 mil empregos e registraram queda de 10% em 2025. Embora o crédito exista, ele ainda é caro e insuficiente para sustentar o investimento produtivo. Nesse contexto, a iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação enfrenta um dos principais gargalos da indústria brasileira: o baixo investimento em inovação. O Brasil investe apenas 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, bem abaixo de países como Coreia do Sul, Japão, Alemanha e Estados Unidos.”
A iniciativa tem como objetivo a redução da dependência externa, além de estimular a geração de emprego e renda. Podem concorrer empresas com propostas de desenvolvimento tecnológico alinhadas às linhas temáticas dos seis setores estratégicos da NIB: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Entre os itens financiáveis estão gastos com pessoal, serviços de consultoria, equipamentos e material de consumo.
As propostas só podem ser apresentadas por empresas que tenham parceria com instituições cientificas e tecnológicas. O objetivo é estimular a integração entre atores, facilitar a transferência de tecnologia, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio da geração e da difusão de conhecimento.
Dez das 13 chamadas anunciadas já estão disponíveis. As demais serão lançadas nas próximas semanas. Detalhamentos sobre os editais serão transmitidos a partir de quarta-feira (11), no canal da Finep no YouTube.