A Universidade Federal do Piauí (UFPI) passa a realizar, a cada ano, um Processo Seletivo Específico e Diferenciado para Indígenas, Quilombolas e Quebradeiras de Coco.

A quantidade de vagas será definida pela capacidade de assistência estudantil e pelo equilíbrio entre os grupos étnicos.

A decisão do Conselho Universitário foi resultado de uma consulta às comunidades tradicionais e é considerado um marco para democratização do acesso à educação superior. 

A resolução também garante a permanência desses alunos por meio de assistência, incluindo moradia universitária, auxílio pedagógico e acessibilidade.

De acordo com a Universidade, a nova política abre caminhos para que mais estudantes de populações historicamente excluídas possam ingressar no ensino superior, como explica o professor Fábio Abreu dos Passos, do departamento de Filosofia.

“Esse processo seletivo será tanto oriundo de vagas remanescentes dos cursos de graduação como de novas vagas a serem ofertadas nesse processo. A gente sabe que pensar numa lógica de meritocracia num país com desigualdades extremas é uma contradição em termos. Então nós avançamos mais na política de inclusão”.

A comunidade dos alunos também comemorou, como reforça Pedro Victor, coordenador do Centro Acadêmico de Ciências Sociais.

“Um sonho que parecia muito distante, ao longo dos anos a gente vem aproximando cada vez mais e se tornando, com muita luta, a universidade mais plural, diversa e, de fato, democratizando o acesso e a permanência. É uma luta de muitos anos e fruto de um diálogo muito grande”.

Representantes do Quilombo Mimbó, que existe há mais de 200 anos, próximo ao município de Amarante, no Piauí, também consideraram a medida um avanço na justiça social.




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