As câmeras corporais usadas nos uniformes dos três policiais militares envolvidos na abordagem, que resultou na morte da médica Andréa Marins Dias, na noite do último domingo, estavam descarregadas no momento da ocorrência.
A informação foi confirmada pela Polícia Militar, que ressaltou, no entanto, a existência de normas rígidas na utilização desses equipamentos. Elas determinam que os agentes, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, regressem à unidade de origem para troca.
Os policiais seguem afastados dos serviços nas ruas e, de acordo com a PM, todos os fatos seguem sob apuração.
Nesta terça-feira, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado enviou ofício ao Comandante e ao Corregedor-Geral da Polícia Militar, pedindo esclarecimentos sobre a ação do 9º Batalhão, que resultou na morte da médica.
No documento, a Comissão questiona, entre outros pontos, se o protocolo de abordagem policial foi devidamente observado e qual a justificativa técnica para a realização de disparos antes da identificação da ocupante do veículo.
A presidente da Comissão, deputada Dani Monteiro, afirmou que acompanha o caso desde o início.
“Não é normal que um carro de luxo andando pelo surburbio do estado do Rio de Janeiro seja tratado dessa forma. O mesmo tratamento não é dada na zona sul da cidade do RJ. Entao, é preciso averiguar e entender as amarras do racismo estrutural que coloca em cheque a vida de uma mãe, uma trabalhadora, como Andrea Marins. Porque o que acontece choca todos nós, um estado que não é capaz de proteger a vida, que executa a vida dos seus cidadãos, é um Estado que não pode permanecer dessa forma.
A médica, de 61 anos, foi atingida por tiros de fuzil, quando retornava da casa dos pais no domingo à noite, na zona norte carioca, e teve o seu carro confundido com outro, utilizado por criminosos, que faziam roubos na região.
Com informações da Agência Brasil.