A taxa de inovação nas indústrias com cem ou mais funcionários alcançou 64% em 2024, terceira queda consecutiva e menor percentual desde 2021. Já nas empresas de maior porte, com mais de 500 pessoas ocupadas, a taxa de inovação chegou a cerca de 75%.
Os números fazem parte da Pintec, Pesquisa de Inovação Semestral, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo IBGE.
No topo do ranking de inovação entre as atividades industriais está a Fabricação de produtos químicos, com 84%, seguida dos setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e móveis. O setor menos inovador foi produtos do fumo, de cerca de 30%.
Entre as empresas que aumentaram seu portifólio de produtos, 45 % introduziram alguma novidade ou aprimoraram de forma significativa algum item, menor percentual desde 2021, quando alcançou 50 %.
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Flávio Peixoto, as taxas dos anos de 2022, 23 e 24 são bem próximas; a diferença é na comparação com 2021, primeiro da série. Ele explica que foi um ano atípico, pós-pandemia, e que as atividades produtivas e inovativas estavam retidas.
Especialista em Economia da Indústria e da Tecnologia, ele destaca que também se deve observar a formação bruta de capital fixo, ou seja, o investimento sobre o Produto Interno Bruto. De 2020 para 2021, o PIB registrou um aumento, seguido de queda nos anos seguintes…
“Em 20 era 16,6. Ele passa pra 17,9 em 21. Então nós já tivemos um aumento da taxa de investimento, né, desse período. E depois ele cai, né, pra 17,8, 16,4 e agora em 24, né, 17. Então você vê que a taxa de investimento também ela oscila, né, com uma tendência, né, pra baixo. E talvez um outro indicador, né, importante, seja a taxa de juros, né, Selic. Dezembro de 20 era 2%. Em 21, 7,8. Em 22, 13,75. 23, 11,75 e 24, 12,25. Então ela subiu bastante. A gente sabe, né, que uma taxa de juro alta, ela pode, né, desestimular, né, certos investimentos, né, principalmente investimentos, né, de longo prazo.”
Flavio Peixoto lembra que outro fator a ser considerado é o câmbio, que pode ter efeitos diversos. Um câmbio menor pode facilitar a importação de produtos acabados e baratear máquinas e equipamentos importados.
Em relação aos gastos com Pesquisa e Desenvolvimento avaliados na pesquisa, em 2024 foram em torno de 40 bilhões de reais, valor superior ao verificado em 2023 em termos nominais.
As empresas inovadoras da Indústria de transformação foram responsáveis por cerca de 85% desse valor e as do setor extrativista, por pouco mais de 14%.
A expectativa da maioria das empresas inovadoras é elevar ou manter os gastos com pesquisa e desenvolvimento em 2025, conclui a pesquisa.