O número de casos de acidentes com animais peçonhentos no país, nos primeiros quatro meses do ano, chegou a 45 mil, com 96 óbitos registrados. Os dados são do painel epidemiológico do Ministério da Saúde.

Os animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno e injetam na sua presa e, por ser um país com clima tropical favorável, o Brasil é casa de várias espécies. O Ministério da Saúde considera algumas delas de interesse em saúde pública no país: jararaca, cascavel, surucucu, cobra coral, coral verdadeira, escorpião amarelo, escorpião marrom ou preto, aranha marrom, aranha armadeira, viúva negra, abelha e a lagarta lonomia.

Francisco Edilson, coordenador geral de Vigilância de Zoonoses da pasta, afirma que os acidentes por animais peçonhentos apresentam maior concentração em áreas urbanas.

“A predominância entre áreas urbanas e rurais vai variar conforme o tipo de acidente. Os acidentes por serpente, por exemplo, eles ocorrem com maior frequência em áreas rurais. Já, de forma geral, os acidentes por animais peçonhentos apresentam maior concentração em áreas urbanas, que respondem por mais de 60% dos registros”.

A médica do Hospital Vital Brazil do Instituto Butantan, Cristina Vigorito, explica que, independentemente de saber se o animal é peçonhento ou não, logo após um acidente, a primeira coisa a se fazer é se afastar do perigo.

“Então, não tente capturar um animal vivo. Se você não tiver condições de capturar, se não tiver condições, se afaste do perigo. Lavar o local com água e sabão. Não devem ser feitos torniquetes em espécie nenhuma, não deve cortar a ferida, não deve tentar espremer a ferida, porque essas medidas acabam piorando as condições no local e as complicações no local”.

A médica ainda recomenda que, se possível, seja tirada uma foto do animal para mostrar ao profissional da saúde no momento da aplicação do soro antiveneno, para evitar qualquer tipo de erro na dose do medicamento.

“Se for possível, pode ser tirada uma foto do animal. Não há necessidade de tentar capturar um animal porque a pessoa pode sofrer outro acidente, outra picada. Não há necessidade de matar o animal. Então, houve condições, tire uma foto que isso é suficiente para que a gente consiga fazer uma identificação”.

O Hospital Vital Brazil do Instituto Butantan oferece atendimento telefônico 24 horas para orientar médicos de outros hospitais. O CIATox, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, reúne médicos e enfermeiros que orientam vítimas de acidentes com animais peçonhentos. O número do CIATox é o 0800-644-6774.

*Supervisão de Bianca Paiva




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