As ações de prevenção aos efeitos do El Niño precisam alcançar todo o país, mas devem levar em conta as características de cada região brasileira. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (16) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
“Não adianta fazer uma campanha nacional, porque os efeitos não são nacionais ao mesmo tempo. Nacionalmente tem que fazer o que estamos fazendo, que é fazer o planejamento, seguir a ciência, não gerar conflitos entre Estado e municípios, direcionar os recursos para as populações mais vulneráveis, reforçar esses dados como problema nacional, mas as campanhas têm que acontecer regionalmente, porque os efeitos vão ser diferentes.”
Medidas regionais
Para a Região Norte, o Ministério da Saúde anunciou medidas específicas, como a ampliação das equipes das Unidades Básicas de Saúde Fluviais, a criação de áreas de resfriamento e pontos de hidratação, além da instalação de bases da Força Nacional do SUS em cidades como Belém, Manaus e Porto Velho.
No Nordeste, já está em andamento a construção de cisternas para ampliar a segurança hídrica das comunidades. Segundo o ministério, a Fundação Nacional de Saúde já implantou mais de 18 mil reservatórios no semiárido.
Já no Sudeste, onde estão previstos períodos mais longos de seca, ondas de calor e baixa umidade do ar na primavera, as ações incluem reforço no combate à dengue, um plano de contingência para enfrentar o avanço das doenças causadas por vírus transmitidos pela picada de insetos, as chamadas arboviroses, além da preparação de uma rede de atendimento com protocolos específicos para situações climáticas extremas.
Para o Centro-Oeste, com tendência de temperaturas médias mais altas e maior frequência de ondas de calor e baixa umidade, a ideia é monitorar queimadas. Outra meta é instalar uma base da Força Nacional do SUS em Campo Grande e em Brasília.
Na região Sul, que sofreu impactos significativos com as enchentes de 2024, as ações abrangem planos de contingência para chuvas intensas, além da continuidade das linhas de cuidado em saúde mental pós desastre.
El Niño intenso
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, o El Niño em formação neste segundo semestre de 2026 tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte, com pico previsto entre outubro e dezembro e reflexos até o início de 2027.
Na área da saúde, os principais efeitos estão associados ao aumento das temperaturas. Entre os riscos estão mais internações, casos de desidratação, agravamento de doenças crônicas e aumento da mortalidade relacionada ao calor. O fenômeno também pode favorecer a ocorrência de arboviroses, além de elevar o risco de leptospirose, doenças diarreicas, problemas de saúde mental e interrupções nos serviços de saúde em áreas atingidas por enchentes.