Uma solução simples tem feito a diferença na vida de pacientes no interior. O médico Daniel Cardin criou receitas com desenhos para ajudar pessoas que não sabem ler a entender o tratamento.
“Como a gente tem um número grande de não letrados, e a nossa formação médica não nos sensibilizou para isso, é preciso entender que, se o paciente não sabe ler e escrever, ao receber um documento, ele precisa revisar o que foi explicado. Se você usa apenas a linguagem escrita, não está fornecendo o material adequado para ele.”
Muitas vezes, o paciente tem acesso ao medicamento e à consulta, mas não consegue se tratar porque não entende o que está escrito na receita. Foi assim que surgiu a ideia, ao perceber que o analfabetismo impedia a continuidade dos cuidados de saúde, mesmo com o atendimento disponível.
A iniciativa já está presente em vários municípios e pode ser ampliada, como afirma o médico Daniel Cardin.
“A plataforma oferece recursos de imagem, muito além de ícones, que já são importantes por si só. Também traz desenhos mais complexos, por exemplo, para o uso de insulina. Somos capazes de usar desenhos, vídeos, ícones e cores para explicar ao paciente a sua doença e acompanhar esse tratamento com mais dignidade. Assim, tornamos o não letramento um obstáculo superável.”
Os desenhos ajudam a orientar de forma clara. Segundo dados do IBGE, mais de 11 milhões de brasileiros ainda não sabem ler.
A proposta do médico busca reduzir esse impacto e pode ser implementada no SUS para ampliar o acesso ao tratamento correto.
João Paulo Seabra, da Rádio Cultura FM de Belém