A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um alerta para os riscos da soroterapia em pessoas saudáveis. Segundo o órgão, a administração intravenosa de nutrientes, medicamentos e outras substâncias é um procedimento exclusivo para tratamento de pessoas com deficiências diagnosticadas – como casos de desidratação e dificuldades para receber nutrientes pela alimentação, por exemplo, e para diluição de outros medicamentos. 

O aviso vem em meio à onda de postagens em redes sociais, cujos conteúdos garantem que a administração intravenosa de vitaminas e substâncias trazem benefícios que vão desde o reforço da imunidade até retardar o envelhecimento. No entanto, a Anvisa informou que não há comprovação científica que a soroterapia traga esses benefícios às pessoas saudáveis.

Ao contrário, se for utilizada indevidamente, pode provocar problemas, de acordo com a endocrinologista e professora de medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Viana. 

“Em alguns casos, esse tipo de aplicação endovenosa, ou até subcutânea, pode levar germes para a corrente sanguínea ou para baixo da pele e causar infecções graves. Outra coisa que pode acontecer é que, se as diluições dos eletrólitos não forem adequadamente feitas, isso pode causar excesso desses elementos. Por exemplo, cálcio e potássio podem levar à arritmia cardíaca e até ao óbito.”

Além disso, quantidades excessivas de vitaminas no organismo podem causar náuseas, vômitos, dores de cabeça, alterações no fígado, entre outros.

Ela explica também que divulgar tratamentos com soroterapia, sem que haja comprovação científica, não é permitido pelo Código de Ética Médica.

“O Código de Ética Médica proíbe, em qualquer circunstância, que a medicina seja exercida como comércio. Bem como não se pode divulgar, fora do meio científico, qualquer processo ou tratamento cuja descoberta não tenha valores previamente reconhecidos por órgãos competentes. Portanto, anunciar procedimentos sem que eles tenham a comprovação devida de efeito, ou seja, um efeito além do efeito placebo, não é considerado ético”.

Vale lembrar que não existem cosméticos injetáveis. Este tipo de produto serve apenas para uso externo, como a pele, cabelo, unhas, lábios ou dentes. Qualquer produto injetável é tratado como medicamento e precisa passar pela aprovação da Anvisa.

Por isso, antes de tudo, é recomendado verificar se a aplicação é realmente aprovada, se o profissional que fará o procedimento é habilitado e qual a procedência da terapia.

* Sob supervisão de Leila Santos.




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